segunda-feira, 22 de abril de 2013

A crua realidade (2013)

Sonhei um mundo dif’rente
Mais fraterno e mais real
Que pudesse olhar em frente
P’la sua energia vital.

Sonhei também ser capaz
De remover injustiças
Pensando que o que se faz
Com empenho e sem preguiças

Perduraria no tempo
E uma vontade unida
Daria sentido à vida.

Sei agora como é lento
E pleno de atrocidades
Mudar as mentalidades…

Ana Redondo, 22 de Abril de 2013

domingo, 21 de abril de 2013

Citações - Renato Ruso

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades - Luís de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Eu cantarei de amor tão docemente - Luís de Camões

Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte

sábado, 6 de abril de 2013

Liberdade - Sophia de Mello Breyner Andresen

O poema é
A liberdade

Um poema não se programa
Porém a disciplina
— Sílaba por sílaba —
O acompanha

Sílaba por sílaba
O poema emerge
— Como se os deuses o dessem
O fazemos

Poema da minha esperança - Sebastião da Gama

Que bom ter o relógio adiantado!...
A gente assim, por saber
Que tem sempre tempo a mais,
Não se rala nem se apressa.
O meu sorriso de troça,
Amigos!,
Quando vejo o meu relógio
Com três quartos de hora a mais!...
Tic-tac... Tic-tac...
(lá pensa ele
Que é já o fim dos meus dias.)
Tic-tac...
(como eu rio, cá p'ra dentro,
De esta coisa divertida:
Ele a julgar que é já o resto
E eu a saber que tenho sempre mais
Três quartos de hora de vida.)

Os Erros - Sophia de Mello Breyner Andresen

A confusão a fraude os erros cometidos
A transparência perdida — o grito
Que não conseguiu atravessar o opaco
O limiar e o linear perdidos

Deverá tudo passar a ser passado
Como projecto falhado e abandonado
Como papel que se atira ao cesto
Como abismo fracasso não esperança
Ou poderemos enfrentar e superar
Recomeçar a partir da página em branco
Como escrita de poema obstinado?
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"