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sábado, 12 de agosto de 2017

Infinita saudade - Ana Redondo

Gosto dos dias de luar
Posso olhar o céu
E sei que vês a mesma Lua
Reflectindo o seu brilho
Na imensidão do universo

Mas depois chega a saudade
Uma saudade tão grande
“Lua, traz-me notícias do meu amor”
E a Lua cala-se e apenas sorri

Então eu grito mais alto
Clamo aos sete ventos
“Vento, pergunta à Lua novas do meu amor”
E o vento ruge e avança
Mas não traz respostas do meu amor

A minha saudade cresce
Estou junto a um lago
O lago reflecte a Lua
A mesma Lua que ilumina o meu amor
Onde está, por onde anda, o que vive
Estará feliz?

E então atiro-me ao lago
Para poder beijar a Lua
Que ilumina o meu amor

Ana Redondo

Redigido a 10 agosto de 2017


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Ao meu irmão que nunca vi - Ana Redondo

Meu adorado mano
Doce bebé que não cresceu
Semente que veio e voou
Sempre te senti meu irmão
António Manuel
Que vives na minha alma
- Suave luz que me abraça -
Criança amada e erradamente não chorada

Quanta dor não expressa
Viveram Teus pais?
Quantas fúrias inúteis perpassaram p'ra nós
Suas filhas (vivas)?

Não sei meu amor
Ainda hoje não sei nada
Só sei que venho oferecer-te
Do mais verdadeiro e profundo do meu ser
A tristeza, o amor, o carinho
O luto e a melancolia
Que, por paradigmas errados,
 Não puderam, não souberam vivenciar

Ana Redondo

Redigido a 24 Julho 2017

domingo, 30 de julho de 2017

Chuva e lágrimas (versão editada a 30 julho) - Ana Redondo

Queria chorar todas as lágrimas
E depois esquecer todas as mágoas
As dores mais profundas
Que, mesmo inconscientes,
Não se desvanecem
Espigões encravados
Que subitamente se revelam
Sem aviso prévio redespertam
(Dalgum obscuro fundo do baú)
...E tudo em mim se desconecta
Se confunde
Qual nuvem escura
Obscurecendo o sol

Oferecer ao mar todas as minhas penas
São tantas tão dolorosas
Como espinhos lancinantes!
Água salgada faz crescer os oceanos
E eu não aguento mais viver
Com este mar pungente
Tremendo e gemendo
Bem dentro de mim

Ajuda-me, mar, ajuda-me terra
Ajudem-me as nuvens
Que me ajude o vento

Que tudo o que eu sofri
Se transfigure no novo
Que, belo, irá nascer
- Resplandecente –
Brotando raízes em solo bem fértil
(Regado e irrigado
Na frescura da chuva)
E estendendo galhos
Pejados de frutos

Venham então borboletas
Transportar o pólen
E gerar novas plantas

E a roda da vida poderá então avançar
Já que também eu sou parte dela
E isso terei sempre de relembrar

Ana Redondo

Começado a redigir a 23 julho 2017, versão editada de 30 de julho de 2017

Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de agosto.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Chuva e lágrimas (versão preliminar) - Ana Redondo

Queria chorar todas as lágrimas
E depois esquecer todas as mágoas
As dores mais profundas
Que, mesmo inconscientes,
Não se desvanecem
Espigões encravados
Que subitamente se revelam
Sem aviso prévio redespertam
E tudo em mim se desconecta
Se confunde
Qual nuvem escura
Obscurecendo o sol

Oferecer ao mar todas as minhas penas
São tantas tão dolorosas
Como espinhos lancinantes!
Água salgada faz crescer os oceanos
E eu não posso mais viver com este mar pungente
Tremendo e gemendo
Bem dentro de mim

Ajuda-me, mar, ajuda-me terra
Ajudem-me as nuvens
Que me ajude o vento

Que tudo o que eu sofri
Se transfigure no novo
Que, belo, irá nascer
- Resplandecente –
Brotando raízes em solo bem fértil
(Regado e irrigado
Na frescura da chuva)
E estendendo galhos
Pejados de frutos

Venham então borboletas
Transportar o pólen
E gerar novas plantas

E a roda da vida poderá então avançar
Já que também eu sou parte dela
E isso terei sempre de relembrar

Ana Redondo

Redigido a 23 julho 2017

sábado, 20 de maio de 2017

Mágoa - Ana Redondo

O silêncio dos teus passos
A luz do teu olhar
O sabor do teu corpo
Encontrar-te devagar
Ignorar os fracassos
Na sombra do luar
E entregar-me inteira
Com a brisa do mar
Ao amor que me rodeia
E tu vens criar.
Nunca és enfadonho
Mas fazes-me chorar
Pois partes de mansinho
E eu só sonho em ficar.
Se és meu amigo
Permanece comigo
Até o dia acabar
E quando a noite chegar
Beija-me devagarinho
Acaricia-me a pele
Para meu corpo amansar
Beija-me até me doer
Beija-me até eu chorar
Atreve-te a ficar
E veremos o amanhecer
Realiza o meu sonho
De a teu lado repousar
E abraça-me com força
Quando o sol nos acordar.


Ana Redondo

Redigido a 15 de Dezembro de 2016

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Lama - Ana Redondo

Quero gritar tudo o que tenho preso cá dentro. Zangar-me, bater, barafustar.
Chega um dia em que não dá mais, em que nada se entende, nada se discerne - só as lágrimas insistem em cair. 

Ana Redondo

sábado, 7 de janeiro de 2017

Ondas da vida - Ana Redondo

As ondas vêm e vão, trazem e levam.
E de novo vêm e vão, trazem e levam, expandem-se e contraem-se.
E de novo, e de novo...
Será a imagem da vida?

Ana Redondo

Redigido a 21 de Dezembro de 2016

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Elegia à árvore - Ana Redondo

Se eu fosse uma árvore…

A árvore eleva-se
Escorreita
Sempre firme e direita
Na sua altivez.
Ao sabor do tempo
À chuva e ao vento
Com sol e granizo
Mantém-se imponente
Sempre confiante
Em permanente sorriso
E serena placidez.

Pronta a servir de abrigo
Refúgio de qualquer perigo
Ali, de ramos estendidos
Sempre distendidos
No calor e na secura
Ou no temível frio glaciar
Pois espalha sua harmonia
Sua persistente força
Dia e noite, noite e dia.

Se eu fosse uma árvore …

Nascem folhas, nascem frutos
Caem folhas, comem-se os frutos
Voam as sementes
Que as aves transportam
Crescem as raízes
No solo bem assentes.
E a árvore cresce e se transforma
Sempre direita
Firme e altaneira.


Ana Redondo

Redigido a14 Maio 2016

terça-feira, 26 de abril de 2016

Quântico - Ana Redondo

Tudo está interligado
É esta a grande emoção
Neste mundo alucinado
O todo é unificado
Cada um é criador.

Destruímos florestas.
Criamos as secas,
Sem oxigenação,
Cresce o dióxido de carbono,
E perde-se o ozono.

Difundimos ódio
E num confuso enredo
Manifesta-se o medo,
A raiva, infortúnio
E sede de vingança

Com a arrogância
Surge o racismo,
Infâmia, discriminação,
Forma-se um abismo
De incompreensão.

Mostramos confiança
Recebemos empenho
Esforço, ardor, engenho.

Se espalhamos ternura.
Produzimos alegria
Conforto, empatia
Tolerância, magia.

Com o nosso entusiasmo
Amor e sinceridade
Pode chegar a bonança
Seremos fraternidade.

Tudo está interligado
Cada qual seu dom, sua missão.
Neste universo integrado
Viver não é nunca em vão.


Ana Redondo

Redigido a 26 Jan 2015

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Discórdia - Ana Redondo

As palavras querem-se claras, cristalinas
As frases fortes, incisivas
O formato coerente, 
De inegável lógica
O conteúdo vibrante, premente
Para que a verdade que grito, 
Mesmo que sujeita a crítica,
Toque alguém  no coração.

"Se não querem guerras
Não produzam armas.
Mas há quem muito lucra
Em as traficar.
E com esta dinâmica
Elas irão continuar
De preferência em remotas terras
Bem longe das luzes da civilização."

E se esta crua verdade não bastar
Para alguém hoje acordar
E prestar atenção
Será que vai adiantar
Mostrar os familiares traumas
De crianças mortas e mães a chorar?

Ana Redondo
Redigido em Janeiro de 2015

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Inerte - Ana Redondo

Caído na praia,
De rosto no areia,
Inerte
O menino morto é  sinal pungente.
Lançado no porão,
Como peça de gado
Ei-lo que se afoga
Em barco sem lei
Que às tantas adorna
Sem rumo, sem leme.
É  triste o teu fado
Menino fugido
Do terror das balas,
Na esperança ilusória
Dum amanhã risonho.
Travessia inglória,
Insana...
Menino perdido
Dos  braços da mãe
Foi  triste a tua sorte
Nesses barcos da morte
Desumana...
Menino inocente
Que já não padece
Aceita que eu junte dolorosa prece
Pois  todos falam, reclamam,
Mas onde estão as acções
Neste drama premente?


Ana Redondo, 3 de Setembro de 2015

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Sirenes no mar - Ana Redondo

Toda a noite as sirenes zumbiram
Noite de nevoeiro
Noite de magia
Noite de encanto
E as sirenes negam-me o descanso.
Sinto os navios no mar traiçoeiro.
Rezo.
Oiço o som das sirenes
Sob o invisível manto.
Um oceano imenso
Grita e clama
Seu infinito fulgor.
Noite de pranto...
E os homens que pescam
Mantêm seu labor...




Ana Mafalda Redondo, Agosto  de 2015
 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Hoje - Ana Redondo

Eu quero ser uma janela aberta p'ro mundo,
Ou um balão que flutua no ar.
Quero dizer olá a todos com quem cruzo.
Quero sentir o aroma da relva molhada
E ver a beleza do jasmim.
Quero ser iluminada
 P'lo brilho do luar 
E o cintilar das estrelas
Como um trilião de velas  a arder.
Quero apreciar o sabor da maçã
E a textura do figo.
Quero em cada momento saber espalhar sorrisos
E que à minha volta todos fiquem mais felizes
Quero isto tudo e muito mais ainda.
Quero viver. 
Quero sonhar.

Ana Redondo, Janeiro de 2015

sábado, 17 de janeiro de 2015

Guerra e religião - Ana Redondo

 Se uma criança é perseguida  e humilhada pelos colegas de escola é alvo de desrespeito e bulling. Se um grupo religioso e racial é sistematicamente alvo de troça de um jornal , criticam-se os assassinos terroristas e fala-se da irrevogável liberdade de expressão. Ninguém reconhece que o jornal atacou e ofendeu. Claro que as armas não são solução. Depois, cria-se o medo...  e cerceia-se a liberdade em nome da segurança. Mas a liberdade de desrespeitar não é questionada! E a dignidade do outro? E a aceitação da diferença? O lápis pode criar barreiras entre vizinhos. Em nome de que legitimidade? A liberdade implica responsabilidade, todos os direitos comportam deveres. Deveres de cidadania, pelo direito à dignidade e bom nome do grupo visado.
Quem semeia ventos colhe tempestades.


Ana Redondo, Janeiro de 2015

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Tu és meu irmão - Ana Redondo

Pobre ser atrofiado
Pelas agruras da vida
Cansado, atormentado
Estilhaçado
Aturdido
A ti me dirijo
Tu és meu irmão!
Neste mundo alucinado
Contigo eu lamento
Sinto a tua emoção
O teu tormento
A tua razão-
Recebe o meu alento
Tu és meu irmão!
Tinhas sonhos melodiosos
Desejos harmoniosos
Vontade, paixão.
E agora sofres
Neste mundo perdido
Confundido
Enlouquecido
Mas tu és meu irmão!
Sei que te vais levantar
Tens de acreditar
E de ser audaz
Esquecer e perdoar
Se queres estar em paz.


Ana Redondo, 2014

Sem título - Ana Redondo (1967)

Une fleur ouvrait ses pétales
E exalait som parfum
Un melre cassait son oeuf
Pour entrer dans sa vie mysterieuse
Un rossignol chantait
Avec sa voix melodieuse
La nuit était tombée
Une étoile brillait dans le ciel
pour moi
E je souriais ave l'étoile.

Ana Redondo, 1967

Vida adulta - Ana Redondo (1981)

Agora que trato o mundo
Como massa anónima
E cada ser que eventualmente cruzo
Como potencial impulsionador
Do instante que passa
Que se esbaterá na sombra
Sem deixar rasto nem dor

Agora que vivo só
Com espectro circulante
E separado da vida
Agora que penso a cidade
Como expressão do urbanismo,
Manobro a oferta e a procura
Como entidades objectivas, exteriores
E o par de namorados
Como curiosidade sociológica

Agora que me rejo pela lei dos grandes números
E decido o futuro
Numa calculadora electrónica,
Agora que quebrei as amarras
Como a minha individualidade sensível
E encerrei bem selada
A minha vida emotiva,
Agora sim, estou preparada
Serei uma eficiente máquina
Na cibernética capitalista.


Ana Redondo, 1981

Só - Ana Redondo (1978)

Sei viver só
E já nem temo a solidão da noite
E o infinito do absoluto silêncio

Aprendi a olhar sozinha
Para o belo à minha volta
Aprendi, bem melhor ainda, a sofrer sozinha
E a verter lágrimas de pedra no interior do coração
Aprendi a interiorizar os pensamentos
E a nunca exteriorizar as emoções
E agora já não penso socialmente
Nem tenho emoções vividas
Aprendi tão bem a desenvolver interiores sensações
Que já nem sei exteriorizá-las
Mas como a exteriorização é parte da sensação
Creio que tenho assim um a vivência diferente
Aprendi a conter as minhas necessidades
E alimentar-me da solidão interior
Aprendi a negar tudo
Ao realizar que tudo me era negado

A minha máscara de gelo
Tornou-se o gelo do meu eu
Emoldurou-se tão perfeita no meu rosto
Que o meu rosto é ela própria
E nada mais ficou
E já não sei chorar
E já não sei sofrer
E só sei que nada quero
Porque nunca nada conseguiria
É tão perfeita a auto-destruição
Que francamente só queria
E muito profundamente
Coragem p'ra me matar


Ana Redondo, 1978

E enquanto momento a momento morro... - Ana Redondo (1982)

"E com isto que têm as estrelas?
                                               Continuam brilhando altas e belas"
                                               José Régio

Há lá morte mais dolorosa
Que esta que momento a momento me consome
Pedaço a pedaço me leva
E a pouco e pouco me destrói
Me seca os olhos
Me esvazia os sentidos
E me vai tornando pedra dura
... E estarei morta quando tiver esquecido
A súplica (quiçá fingida) que um dia li nos teus olhos

Ana Redondo, 1982



sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Luz divina - Ana Redondo




Quando Jesus me tocou
E nos seus braços Maria me afagou
Tudo em redor se iluminou
E o meu coração se entregou.



Ana Redondo, Janeiro de 2014