sexta-feira, 16 de junho de 2017

Os Meus Versos - Florbela Espanca


Rasga esses versos que eu te fiz, amor! 
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento, 
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento, 
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor, 
Que volte ao nada o nada de um momento! 
Julguei-me grande pelo sentimento, 
E pelo orgulho ainda sou maior!...

Tanto verso já disse o que eu sonhei! 
Tantos penaram já o que eu penei! 
Asas que passam, todo o mundo as sente...

Rasgas os meus versos... Pobre endoidecida! 
Como se um grande amor cá nesta vida 
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

sábado, 20 de maio de 2017

Mágoa - Ana Redondo

O silêncio dos teus passos
A luz do teu olhar
O sabor do teu corpo
Encontrar-te devagar
Ignorar os fracassos
Na sombra do luar
E entregar-me inteira
Com a brisa do mar
Ao amor que me rodeia
E tu vens criar.
Nunca és enfadonho
Mas fazes-me chorar
Pois partes de mansinho
E eu só sonho em ficar.
Se és meu amigo
Permanece comigo
Até o dia acabar
E quando a noite chegar
Beija-me devagarinho
Acaricia-me a pele
Para meu corpo amansar
Beija-me até me doer
Beija-me até eu chorar
Atreve-te a ficar
E veremos o amanhecer
Realiza o meu sonho
De a teu lado repousar
E abraça-me com força
Quando o sol nos acordar.


Ana Redondo

Redigido a 15 de Dezembro de 2016

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Lama - Ana Redondo

Quero gritar tudo o que tenho preso cá dentro. Zangar-me, bater, barafustar.
Chega um dia em que não dá mais, em que nada se entende, nada se discerne - só as lágrimas insistem em cair. 

Ana Redondo