domingo, 6 de outubro de 2013

Citações - Bernard Shaw


Há pessoas que vêem as coisas como elas são e que perguntam a si mesmas: ''Porquê?'' e há pessoas que sonham as coisas como elas jamais foram e que perguntam a si mesmas: ''Por que não?''.

O homem sensato adapta-se ao mundo. O homem insensato insiste em tentar adaptar o mundo a si. Sendo assim, qualquer progresso depende do homem insensato.

Grão de incenso - Augusto Gil

Entraste com ar cansado
Numa igreja fria e triste.
Ajoelhei-me ao teu lado
– E nem ao menos me viste...

Ficaste a rezar ali,
Naquela imensa tristeza.
Rezei também, mas a ti.
– Que aos anjos também se reza...

Ficaste a rezar até
Manhã dentro, manhã alta.
Como é que tens tanta fé
E a caridade te falta?...

Utopia - João Afonso

 Cidade
 Sem muros nem ameias
 Gente igual por dentro
 Gente igual por fora
 Onde a folha da palma
 afaga a cantaria
 Cidade do homem
 Não do lobo, mas irmão
 Capital da alegria

 Braço que dormes
 nos braços do rio
 Toma o fruto da terra
 É teu a ti o deves
 lança o teu desafio

 Homem que olhas nos olhos
 que não negas
 o sorriso, a palavra forte e justa
 Homem para quem
 o nada disto custa
 Será que existe
 lá para os lados do oriente
 Este rio, este rumo, esta gaivota
 Que outro fumo deverei seguir
 na minha rota?

Renascer - Ellen Dias

Saio a caminhar pelas ruas sem saber pra onde vou
O vento me leva,
E pela primeira vez em muitos anos,
Deixo o sol tocar meu rosto.

Pés na estrada, incertos,
Porém, os passos de agora são bem firmes.
Me solto e me aventuro pelas ruas,
E vou por aí, sem destino.

Apenas caminhando,
Sem querer parar,
Com meus passos guiados pelo sol,
Pois não temo mais a luz
E não preciso mais esconder meu rosto.

Saio finalmente das sombras
E contemplo a luz do dia,
No dia mais ensolarado,
O sol mais iluminado
Que já vi.

O dia em que vesti-me de mim
E quis sair por aí,
Das trevas libertado,
De ilusões alforriado,
O dia em que renasci.

Já não me assombra a incerteza,
Já não enfrento a correnteza,
Apenas me solto por aí
Me afastando das lembranças
Daquele dia em que morri.

Ellen Dias,
in Movimento Literário Novos Poetas (http://movimentonovospoetas.blogspot.com.br/)

Vida - Augusto Branco

 Já perdoei erros quase imperdoáveis,
 tentei substituir pessoas insubstituíveis
 e esquecer pessoas inesquecíveis.

 Já fiz coisas por impulso,
 já me decepcionei com pessoas
 que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,
 mas também já decepcionei alguém.

 Já abracei pra proteger,
 já dei risada quando não podia,
 fiz amigos eternos,
 e amigos que eu nunca mais vi.

 Amei e fui amado,
 mas também já fui rejeitado,
 fui amado e não amei.

 Já gritei e pulei de tanta felicidade,
 já vivi de amor e fiz juras eternas,
 e quebrei a cara muitas vezes!

 Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
 já liguei só para escutar uma voz,
 me apaixonei por um sorriso,
 já pensei que fosse morrer de tanta saudade
 e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

 Mas vivi!
 E ainda vivo!
 Não passo pela vida.
 E você também não deveria passar!

 Viva!!

 Bom mesmo é ir à luta com determinação,
 abraçar a vida com paixão,
 perder com classe
 e vencer com ousadia,
 porque o mundo pertence a quem se atreve
 e a vida é muito para ser insignificante.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Amor ao vento (ou Aquela Conversa) - Jedaías Torres

Às vezes perco as estribeiras
e quero amar mais do que posso
mais do que cabe em mim

eu sou assim
um mapa pra não se sabe onde
com o corpo aqui na terra
e a cabeça nas estrelas

não me procure nas certezas
eu não vou estar lá
talvez você me ache no caos
das minhas palavras
ou no amor que eu espalhei por ai
ao vento
nos becos

Jedaías Torres,
in Movimento Literário Novos Poetas (http://movimentonovospoetas.blogspot.com.br/)

Adiamento - David Mourão Ferreira


Olhar-te bem nos olhos: que voragem!
Ouvir-te a voz na alma: que estridência!
É tão difícil termos coragem
de nos vermos enfim sem complacência.

É tão difícil regressar de viagem,
e descobrir no rastro tanta ausência...
Mas os meus olhos, súbito, reagem.
À tua voz chega o silêncio e vence-a.

Nos pulsos vibra ainda o mesmo rio
que no delta dos dedos se extasia
e moroso reflui ao coração.

O gesto de acusar-te? Suspendi-o.
Mas foi só aguardando melhor dia
em que tenha lugar a execução.

DAVID MOURÃO FERREIRA, in INFINITO PESSOAL