segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Oração - Madre Teresa de Cálcutá

Muitas vezes o povo é egocêntrico, ilógico e insensato,
Perdoe-o assim mesmo.
Se você é gentil, o povo pode acusá-lo de egoísta e interesseiro.
Seja gentil assim mesmo.
Se você for um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.
Se você é honesto e franco, o povo pode enganá-lo.
Seja honesto e franco assim mesmo.
O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.
Se você tem paz e é feliz, o povo pode sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo.
O bem que você faz hoje, o povo pode esquecê-lo amanhã.
Faça o bem assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.
Veja você que, no fim das contas, é entre VOCÊ E DEUS.
Nunca foi entre você e o povo.

Citações - Albert Einstein

Uma pessoa inteligente resolve um problema, um sábio previne-o.

Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio - e eis que a verdade se me revela.


Os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando os criámos.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Momentos (1970)

O seu olhar
De súbito
Entristeceu
Os lábios tremeram
O rosto empalideceu
Porquê?
Queria talvez perguntar-lhe
Mas que dizer?
Para quê falar?
Para quê quebrar o seu silêncio
A sua dor
E no silêncio do entardecer
Dos seus olhos turvos
Uma lágrima a tombar

Ana Redondo, Timor, 1970

Eu queria ser civilizada como os animais

Oferecido em 2011 à minha sobrinha Joana quando concluiu o curso de Medicina Veterenária

Eu queria poder afagar uma fera terrível
Eu queria poder transformar tanta coisa impossível
Eu queria dizer tanta coisa que pudesse fazer
                               eu ficar bem comigo
Eu queira poder abraçar meu maior inimigo
Eu queira não ver tantas nuvens escuras nos ares
Eu queria navegar sem olhar
Tantas manchas de óleo no mares
E as baleias desaparecendo por falta de escrúpulos

Eu queria ser civilizada como os animais
Eu queria ser civilizada como os animais

Eu queria não ver   a terra morrendo
E nas águas dos rios os peixes desaparecendo
Eu queria gritar
Que este tal de ouro negro
Não passa de um negro veneno
E por isso nós todos sabemos
Vivemos bem menos

Eu não posso aceitar certas coisas
Que eu não entendo
O comércio das armas de guerra
Da morte vivendo
Eu queria falar de alegria ao invés de tristeza
Mas não sou capaz

Eu queria ser civilizada como os animais
Eu queria ser civilizada como os animais

Eu não sou contra o progresso
Mas apelo p´ro bom senso
Um erro não consente o outro
É isso que eu penso
Eu queria ser civilizada como os animais

(Redigido algures nos anos 70)
Ana Redondo

Auto-retrato (1976)

Procurei chorar
Mas tinha os olhos secos
Procurei sofrer
Mas tinha o coração vazio
'inda tentei odiar
Mas vi que não sentia
E então compreendi
...Que já não vivia

Ana Redondo, Abril 1976

Sem alma (1969)

Casas informes
Iguais
Pesadas
Todas enfileiradas
Uma massa cinzenta
Cimento agreste e frio
Onde se recortam janelas
Portas e varandas
Casas sem alma...

Fábricas compridas
Com inúmeras secções
E fumo escuro, muito escuro
Que mancha o céu azul
E a cidade empesta
Estranhos odores
Ruídos que não cessam
O comboio que apita
O motor que arranca
Senhoras desconhecidas
A pisar o asfalto
Com sapatos de salto
Homens rudes, operários
Secretários ou ministros
Gente que passa pelas ruas
A pensar na conta bancária ou no trabalho

Sem olhar, sem parar
Sem compreender
Que por detrás das casas frias
Há uma vida que fervilha
Sentimentos, paixões
Problemas
De gente que se fecha a chave e cadeado
E que também não olha
Não vê, não sente...

 Outubro de 1969


Pai (1969)

Quando te foste embora
Para longe, muito longe
Senti que viver sem ti
Era vazio e fútil
Senti que a casa já não me dizia nada
A casa estava parada
Enquanto o mundo avançava
Quando te foste embora
Nós ficámos sozinhas
Tristes
Isoladas
À mesa faz falta o teu lugar
Está vazia a tua cama
E a cadeira onde te sentas
Pai, porque partiste?
Custa mais ir ao cinema
Ou a casa das tias
Já não se pode ir passear
Nem pelas ruas vaguear
Pai, porque partiste?
Mas mais do que tudo isto
Faz falta o teu carinho, o teu sorriso
O teu amor de Pai
Fazem-me falta, até - quem tal diria
As tuas zangas e lamentos
Os teus conceitos e preconceitos
Pai, porque partiste?
As tuas cartas chegam atrasadas
As tuas notícias quando vêm, estão ultrapassadas
Mas as tuas palavras verdadeiras
Essas não, não vêm nas cartas
Pai, porque partiste?
Sim, já sei porque partiste
Partiste para eu perceber
Quanto te amo
Partiste para me fazer ver
Quanto de ti preciso
Partiste, enfim,
Para cá de longe, arrependida
Bem alto poder gritar
"Pai, perdão
Perdão pelos meus maus pensamentos
Perdão pelos meus lamentos
Compreendi que te amo sempre muito
Pai"
Ana Redondo, Novembro 1969