quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Sirenes no mar - Ana Redondo

Toda a noite as sirenes zumbiram
Noite de nevoeiro
Noite de magia
Noite de encanto
E as sirenes negam-me o descanso.
Sinto os navios no mar traiçoeiro.
Rezo.
Oiço o som das sirenes
Sob o invisível manto.
Um oceano imenso
Grita e clama
Seu infinito fulgor.
Noite de pranto...
E os homens que pescam
Mantêm seu labor...




Ana Mafalda Redondo, Agosto  de 2015
 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Pensamentos -Dalai Lama

Dê a quem você ama:
Asas para voar
Raízes para voltar
E motivos para ficar.


Dalai Lama

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Hoje - Ana Redondo

Eu quero ser uma janela aberta p'ro mundo,
Ou um balão que flutua no ar.
Quero dizer olá a todos com quem cruzo.
Quero sentir o aroma da relva molhada
E ver a beleza do jasmim.
Quero ser iluminada
 P'lo brilho do luar 
E o cintilar das estrelas
Como um trilião de velas  a arder.
Quero apreciar o sabor da maçã
E a textura do figo.
Quero em cada momento saber espalhar sorrisos
E que à minha volta todos fiquem mais felizes
Quero isto tudo e muito mais ainda.
Quero viver. 
Quero sonhar.

Ana Redondo, Janeiro de 2015

Travessuras - Oswaldo Montenegro


sábado, 24 de janeiro de 2015

História antiga - Miguel Torga

 Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
 Feio bicho, de resto:
 Uma cara de burro sem cabresto
 E duas grandes tranças.
 A gente olhava, reparava, e via
 Que naquela figura não havia
 Olhos de quem gosta de crianças.

 E, na verdade, assim acontecia.
 Porque um dia,
 O malvado,
 Só por ter o poder de quem é rei
 Por não ter coração,
 Sem mais nem menos,
 Mandou matar quantos eram pequenos
 Nas cidades e aldeias da Nação.

 Mas,
 Por acaso ou milagre, aconteceu
 Que, num burrinho pela areia fora,
 Fugiu
 Daquelas mãos de sangue um pequenito
 Que o vivo sol da vida acarinhou;
 E bastou
 Esse palmo de sonho
 Para encher este mundo de alegria;
 Para crescer, ser Deus;
 E meter no inferno o tal das tranças,
 Só porque ele não gostava de crianças.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Para além da curva da estrada - Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

 Para além da curva da estrada
 Talvez haja um poço, e talvez um castelo, 
 E talvez apenas a continuação da estrada.
 Não sei nem pergunto.
 Enquanto vou na estrada antes da curva
 Só olho para a estrada antes da curva,
 Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
 De nada me serviria estar olhando para outro lado
 E para aquilo que não vejo.
 Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
 Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
 Se há alguém para além da curva da estrada,
 Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
 Essa é que é a estrada para eles.
 Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
 Por ora só sabemos que lá não estamos.
 Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
 Há a estrada sem curva nenhuma.


in “Poemas Inconjuntos”. Poemas Completos de Alberto Caeiro (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.) [Lisboa: Presença,1994.]