terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Bob Dylan - Blowing in the wind



How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
Yes, ’n’ how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, ’n’ how many times must the cannonballs fly
Before they’re forever banned?
The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind

How many years can a mountain exist
Before it’s washed to the sea?
Yes, ’n’ how many years can some people exist
Before they’re allowed to be free?
Yes, ’n’ how many times can a man turn his head
Pretending he just doesn’t see?
The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind

How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, ’n’ how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, ’n’ how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind

Vieram avisar-me (1972)

Vieram avisar-me que chovia
Vieram dizer que os campos estão molhados
As árvores despedaçadas
As folhas caídas
Vieram falar-me das andorinhas que partiam
Disseram que as borboletas
Voar já não vão
Vieram explicar-me que o Sol se escondia
Atrás de cinzentas nuvens
Falaram-me do sibilar do vento
E no estrondo do trovão
Disseram-me que a ovelhinha
Se enroscou junto da ovelha mãe
E ondas ferozes batiam nas rochas

Porquê? Para quê a explicação
Se a minha alma sente o Inverno
Se o meu coração ouve do vento o turbilhão
Cruel, devastador.
Se eu já não sou o que era
A Primavera findou
Se dentro de mim mesma o dilúvio chegou

Obrigado, Mensageiro
Os teus esforços foram vãos
Sinto o meu coração quebrar
Partir-se, rachar
Separam-se os pedaços
Destroem-se os alicerces
O vento desmoronara tudo
Levou consigo a flor da minha alma
Deixa fugir a borboleta do meu ser
Depois, vem a chuva
Esconder os destroços
Esquecer o passado
Fugir ao presente
E lágrimas caem no meu coração
Tão fundas, tão tristes
As lágrimas caem no meu coração

Parte, Mensageiro da minha alma, parte
Vai falar aos outros
Na minha dor, no meu pesar
Não lhes fales do tempo
Da chuva e do vento
Diz-lhes...que eu estou triste

Diz-lhes...que eu procuro um sorriso aberto
Um olhar risonho
Um coração franco
Diz-lhes...que eu
(Pobre alma perdida na vida turbulenta)
Procuro Paz e Juventude

(redigido em 1971/72)

Ana Redondo

O palácio da ventura - Antero de Quental

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
paladino do amor, busco anelante
o palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
- "Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos portas de ouro, ante meus ais!"

Abrem-se as portas de ouro com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
silêncio e escuridão - e nada mais!

Decisões (2013)

Vieste de mansinho
Como mágoa cortante
Pequena, esquecida.
Como que perdida
Em soturno recanto.
Criaste raízes
Robustas, perfurantes
Como um extenso manto
De intensos matizes.

Vieste, cresceste, ficaste
Chegaste mais fundo
Ateaste incêndios
No meu ser profundo.
Confundiste-me as rotas
Queimaste os compêndios
Trocaste-me as voltas
Marcaste-me o rosto
E por fim me quebraste
Para não mais me perder.

Falai pois agora,
Mostra-te inteira
Como lança certeira
Que o meu ser partido
Procura-se, enreda-se
E tão enevoado
Já falhou o caminho
E esqueceu o destino.
De tão enredado
Traiu a doçura
Carinho, ternura
E toda a formosura.

Hoje serás benvinda
Entra e revela-te
Agora já creio
Que és real para mim
Não deixes que te afaste
E continue sem ti.

Que a tua transparência
Suscite a diferença.
Então terei forças
Para ser eu mesma
Despir as roupagens
Da política correção
Rasgar as imagens
Exigidas pela sociedade
Ignorar a maldade
Que governa as fileiras.

Dá-me a coragem
De atingir a verdade
Dá-me essa voragem
De saltar fonteiras
Preconceitos, razões.
São apenas embustes
Efabulações
E no meu pobre ego
Medos e ilusões.

Retira os grilhões
Dos fáceis confortos
De amanhãs inúteis
Profanos e fúteis
Como tempos mortos.

Que o meu ser cansado
Tem algo a cumprir
E será isso o que está para vir.
Não será pesado,
Será duro, incerto
Falhanço ou sucesso
Duradouro ou fugaz
Mas isso que importa
Se vier em paz.

Ana Redondo, 5 Fevereiro de 2013
 
 


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Meu querido e saudoso Pai

Estou triste, amargurada e o meu coração rasgado anseia por ti. Abençoa-me Pai e intercede por mim eternamente. Ilumina os meus passos e mostrai-me o caminho. Ajuda-me a ver entre as névoas tão densas.

Linha de rumo - Carlos Redondo

Carlos Redondo, "Vida-Tetralogia", 1994


A vida é uma viagem feita em navio corsário
Não custa ser pirata, astuto, temerário
Nem sequer ser herói no fragor da batalha
Quando exigem de nós a lança ou a mortalha

Mas, só, no quarto de alva, quando o cansaço vem,
Manter-se firme, ao leme, de olhos mais além,
E fugindo dos escolhos, não se afastar do rumo,
Seguir, sereno, em frente, em frente com aprumo

Essa batalha sim, essa custa a vencer
A batalha da vida, a nossa, até morrer.

Canção - Cecília Meireles

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar,
- depois abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio,
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas